Índices Econômicos e da Construção
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15/08/2007 08:16

As estratégias de quem cresceu acima de 50%

Fonte: Portal Exame

Instalada na cidade de Barcarena, a 40 quilômetros de Belém, no Pará, a Alunorte (no 115 no ranking das 500 de MELHORES E MAIORES) se tornou em 2006 a maior refinaria do mundo de alumina, a matéria-prima do alumínio. O avanço ocorreu graças a um investimento de 2 bilhões de reais realizado nos últimos três anos por parte de suas acionistas. A principal delas é a Vale do Rio Doce, com 57% do capital, seguida pela empresa norueguesa Norsk Hydro e pela Companhia Brasileira de Alumínio, além de empresas e consórcios japoneses minoritários. O dinheiro foi usado para ampliar a fábrica, aumentando a capacidade de produção de 2,5 milhões para mais de 4 milhões de toneladas por ano. Atualmente, a Alunorte é responsável por 7% da alumina consumida no mundo. Essa evolução teve reflexo imediato nos resultados financeiros. Segundo os dados de MELHORES E MAIORES, a Alunorte faturou 1,3 bilhão de dólares em 2006 -- quase 80% mais do que o registrado em 2005. Ela é hoje a 11a maior companhia das regiões Norte e Nordeste. "Sempre crescemos a passos largos, mas agora os investimentos atingiram um patamar muito mais ambicioso", afirma Ricardo Carvalho, presidente da Alunorte.

A refinaria paraense faz parte do clube de 20 empresas brasileiras que registraram o maior aumento no faturamento bruto em 2006, de acordo com o levantamento deste anuário. Há na lista companhias de 13 diferentes setores da economia nacional. O mercado de atacado foi o destaque, com quatro empresas (Starexport, Sudestefarma, Cisa Trading e Servimed). Em seguida, vieram os setores de bens de consumo, siderurgia e metalurgia, mineração e serviços, cada um deles com dois representantes na relação. A maior parte do grupo das 20 empresas obteve crescimento em vendas superior a 50%. Para efeito de comparação, a evolução média das 500 maiores companhias do Brasil em 2006 foi de 5,8%. Na maior parte das vezes, as finanças das empresas bem-sucedidas seguem uma curva de evolução constante e gradual, ano a ano. "Grandes saltos ocorrem em situações excepcionais, como uma conjuntura muito favorável aos negócios e um aporte considerável de capital", diz Raul Beer, da consultoria PricewaterhouseCoopers.

No caso das empresas dos setores de mineração e siderurgia, o ciclo de alta dos preços das commodities atua como uma das principais forças por trás do movimento de expansão dos negócios. Nos últimos anos, os valores de várias matérias-primas vêm batendo recordes seguidos. É o caso da alumina, cuja tonelada custa atualmente cerca de 250 dólares, preço 50% maior do que o registrado há cinco anos. O principal motivo é o apetite da China pela commodity. O país tem energia barata -- fator essencial para a produção de alumínio --, mas está longe das grandes reservas de bauxita, a matéria-prima da alumina. Por isso, os chineses dependem das importações. Ao mesmo tempo que a demanda explodiu por causa das necessidades da China, a oferta de alumina no mercado internacional cresceu em um ritmo bem mais tímido. Daí a enorme valorização do produto nos últimos tempos.

Segundo analistas do setor, o movimento de alta deve continuar pelos próximos 15 anos. Dos nove países que possuem as principais reservas de bauxita no mundo, apenas no Brasil e na Guiana Francesa ainda há grande potencial de crescimento da exploração. Ou seja, a alumina é um produto que tende a tornar-se ainda mais escasso no mercado. Uma amostra desse cenário já aconteceu em 2005, quando foi registrado um déficit de mais de 1 milhão de toneladas do material, considerando as necessidades da indústria. A perspectiva de uma valorização ainda maior da commodity fez as sócias da Alunorte, no Pará, planejarem desde já um novo ciclo de expansão da empresa. Recentemente, foram aprovados pelas acionistas mais 2,2 bilhões de reais de investimentos na fábrica de Barcarena. A partir de 2008, com duas novas linhas de produção funcionando, a Alunorte deve refinar 6 milhões de toneladas de alumina por ano -- aumento de 25% em relação à produção atual.

Se a valorização das commodities impulsionou em 2006 os resultados das empresas dos setores de mineração, siderurgia e metalurgia, na área de atacado um fator relevante para alguns saltos registrados nos faturamentos foi o processo de fusões e aquisições. Um mercado que se encontra em plena fase de consolidação é o dos distribuidores de medicamentos. Isso se dá por necessidade de sobrevivência no momento em que ocorrem transformações importantes na estrutura dos negócios realizados nessa área. Nos últimos anos, um número cada vez maior de redes de farmácias passou a negociar seus pedidos diretamente com os laboratórios. Diante desse cenário, os atacadistas começaram a unir forças para ganhar maior poder de fogo no jogo comercial do setor.

Em 2005, num dos movimentos mais importantes registrados recentemente pelo mercado, dois atacadistas se fundiram para criar a holding Panfarma. O negócio envolveu a venda da Sudestefarma (no 478 no ranking das 500 maiores), empresa regional com atuação no Espírito Santo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. A compradora foi a líder do setor, a Panarello, sediada em Goiânia. Juntas, as companhias deram origem à holding Panfarma, que inclui a participação de outro atacadista adquirido pela Panarello, a American Farma, com atuação no Nordeste. "Os laboratórios reduziram a quantidade de atacadistas com que trabalham e passaram a exigir serviços mais sofisticados, algo que só os maiores conseguem fornecer", diz Lourival Stange, diretor da área farmacêutica da consultoria Gouvêa de Souza & MD.

A fusão beneficiou os negócios da Sudestefarma, que continua a publicar balanços de seus negócios apesar de pertencer agora à Panfarma. Ela está no grupo das dez empresas que mais cresceram no Brasil no ano passado, com evolução de quase 70% nas vendas. Em 2006, o faturamento bruto foi de 303 milhões de dólares, segundo os dados de MELHORES E MAIORES. Graças à sinergia de operações entre a empresa e sua nova controladora, a Sudestefarma conseguiu reduzir os custos com logística e pessoal. No total, a economia chegou a 4% -- índice considerado excelente para um setor de margens apertadíssimas. Depois de receber investimentos da matriz, a Sudestefarma ampliou sua atuação para outros três estados: São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Com o peso de uma operação maior, a empresa ganhou ainda poder de barganha com os laboratórios. Juntas, Sudestefarma e Panarello detêm, agora, 22% de participação de mercado. "Estamos transformando nossa operação regional em nacional, o que traz muito mais conveniência para nossos clientes", diz Paulo Scarpa, diretor-superintendente da Sudestefarma.

Em alguns setores analisados por MELHORES E MAIORES, a participação do governo foi preponderante para um crescimento acima da média em 2006. A Delta Construções (no 320 no ranking das 500 maiores), do Rio de Janeiro, que obteve crescimento de vendas de quase 70% no ano passado, é uma das que se beneficiaram disso. A empresa foi responsável no período por um leque variadíssimo de obras, que incluiu desde a pavimentação da rua de um bairro da cidade de Coremas, no interior da Paraíba, a um custo de 95 000 reais, até a construção da sede do Ministério Público do Trabalho em Brasília -- projeto no valor de 130 milhões de reais. Cerca de 90% do resultado da Delta vem de concorrências do poder público. Apesar de ser preocupante para qualquer empresa ficar na dependência de apenas um cliente, por enquanto, o cenário é ainda favorável. Se os investimentos previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal se concretizarem, serão aplicados 503 bilhões de reais em obras de infra-estrutura nos próximos três anos. Diante disso, são boas as perspectivas de empresas de construção civil, como a Delta, continuarem na lista das campeãs de crescimento no Brasil.

 http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0899/mm_2007/m0135369.html

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